quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Quem lhe ensinou a andar de bicicleta?

Foto: Henri Cartier Bresson

Uma das pessoas mais importantes de sua vida estava lá, naquele dia de sábado, muita luz e calor. O céu infinito. Um azul claro, sem nuvens. Compartilhava, com você, medo e desejo, insegurança e vergonha. E essa, que é uma das pessoas mais importantes de sua vida, caminhava rápido, ao seu lado, segurando a cela e o guidão de sua primeira bicicleta, que não, necessariamente, era nova, pois, em muitos casos, era um modelo ultrapassado, herdado de um irmão mais velho.

Tinha muita gente torcendo pela sua conquista. A rua inteira ao redor, gritava “vai” e provocava, em você, um misto de motivação e medo de decepcionar. E uma pessoa fundamental, em sua vida, deixou o descanso do fim de semana para participar de uma aventura que não era dela porque acreditava no seu potencial para alcançar o equilíbrio, a estrada e as longas distâncias.

Aprender a andar de bicicleta já foi algo importante na vida de uma criança. Era uma espécie de certificado de sua capacidade para a superação, principalmente, dos próprios medos, e lhe conferia habilitação para segurar a cela e o guidão para outras crianças.

Quem lhe ensinou a andar de bicicleta?

Essas, provavelmente, são pessoas muito importantes na sua história porque lhe ensinaram sobre superação, coragem e confiança, tanto em si mesmo, quanto nos outros.

Creio que relembrá-las é resgatar-se. É trazer à tona o poder de realização que, com o passar dos anos e a chegada da vida adulta, vamos oprimindo em nosso íntimo.

Tudo é símbolo. Aprender a andar de bicicleta é um símbolo. Estou em busca desse resgate simbólico. Espero voltar. Quero alcançar umas longas distâncias em novas estradas, consciente e confiante em meu equilíbrio. E, claro, quero estar apta para segurar a cela e o guidão dos amigos (e inimigos), se for necessário.

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