segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Se descobrir no outro





















































Foto: Cena do filme Histórias Cruzadas. Histórias se cruzam, todos os dias, da forma mais trivial possível e a gente se descobre nesses encontros.


Sou fã de Maria Rita. Faz um tempinho que procuro um dos CDs dela, em minhas coisas, mas não 
encontro. ELO. Esse álbum traz muitas recordações. Não sei se boas ou ruins, mas, sem dúvida, intensas. Perdi. Sou desligada. Esquecida. Posso até ter emprestado a alguém. Foi! Agora já era. Comprei outro, hoje, nas Americanas. Precisava re-escutá-lo (No meu caso, música - em se falando de Elis e Maria Rita -  chega ser uma questão vital mesmo).

A moça do caixa me conhece. Acho isso algo incrível e formidável. São coisas que me fazem um bem danado. Descobrir que alguém me descobriu. Ou seja, que eu existo para pessoas que não existiam para mim. Engraçado até.

Nem sou de comprar nas Americanas, mas de alguma forma, nas poucas vezes em que comprei, fiz diferença na vida de alguém que trabalha lá. Dia desses fui comprar um alfajor. Estava em falta. Para não perder a viagem, comprei uma outra bobagem qualquer que nem lembro. Na hora de pagar, a moça, de uns vinte e poucos anos, simpática, comentou que fazia tempo que eu não aparecia. Tomei um susto. Juro! Mas, tentei disfarçar: "Estou fazendo contenção de despesas". E é verdade mesmo. Se já frequentava pouco o comércio, agora, frequento muito menos. Falei alguma outra trivialidade e despedi-me.

Hoje, encontrei o CD que eu queria por R$15,00 a menos. Reencontrei-me com a simpática moça do caixa - não sei o nome dela - e com Maria Rita, neste último caso, literalmente, com o Elo perdido.

Voltava pra casa e vinha lembrando de outras 'moças do caixa', falando genericamente. Pessoas que participam anonimamente da nossa história, mas de uma forma positiva. Tornam a vida mais humana. Familiar e aconchegante.

Como por exemplo, uma jovem mulher que conheci no banheiro de um barzinho daqui da cidade, num fim de semana qualquer. Ela estava apreensiva porque discutiu com o namorado e comentava com a amiga. Agradeci porque elas seguraram a porta do banheiro, pra mim, que estava sem trinco. Antes de sair, desejei "boa sorte com o cara" e isso foi o bastante pra ela me contar toda a história. Aliás, uma mulher muito bonita e legal para sofrer por um cara que, pelo que ela mesma me falava, não valia muita coisa. Mais uma amizade de banheiro com teor psicoterapêutico. Tentei animá-la, mas nosso sexo é mesmo frágil quando o assunto é paixão. Outro dia cruzei com ela no centro da cidade, muito rapidamente. Parecia bem. Espero que tenha dado um pé na bunda do traste. Ela merece mais.

A moça das Americanas, a do banheiro do barzinho ou o cara que entrega a água aqui em casa toda semana... tem o homem que, periodicamente, traz a ração dos cachorros também... pessoas com quem, geralmente, trocamos frios 'bons dias', 'boas tardes', 'boas noites', mas que, na verdade, são as linhas com que costuramos os retalhos de uma colcha enorme que é a nossa vida. Sem querer, podemos fazer a diferença na vida de alguém e, de repente - uma boa surpresa - esse alguém passa a fazer a diferença na nossa.

São os detalhes. O melhor do todo será sempre a parte. O detalhe. 

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