sexta-feira, 1 de maio de 2015

Ploc! O estalo da mudança



Sou um pouco resistente à mudança, talvez, porque sou apegada. Tenho raízes profundas na cidade em que nasci, nas pessoas que amo, na casa em que moro. No jardim e na jardineira, minha mãe.

Talvez porque, inconscientemente, eu tenha medo de deixar de ser eu. Vai ver que sou apegada até a meus defeitos, por isso, parece algo tão impossível, para mim, a mudança.

Dormir pouco, ser organizada e ter disciplina. Praticar um exercício físico. Seria algo tão bom, na minha vida, que penso ‘por que aconteceria comigo?'

Eu dormindo pouco, organizada e disciplinada, ainda, seria eu?

Um sentimento supersticioso de quem não acredita na mudança, provavelmente, porque não acredita em si próprio. Ou tem medo de perder a própria identidade.

Por mais que eu saiba que as cobras mudam de pele, que do casulo sai uma borboleta e que o patinho feio, na verdade, é um cisne, tenho, um pouco, essa descrença na mudança.         

A verdade é que a mudança faz a gente sentir o movimento da vida. E a estabilidade exagerada faz a gente se sentir um móvel velho de madeira.

Ultimamente, tenho sentido a necessidade do movimento.

Está confortável. Está bom. Aconchegante. Mas, de repente pode ser muito mais.

E naqueles momentos em que não há uma alternativa melhor do que ter fé, eu acredito no trecho do Eclesistes que diz haver tempo para tudo debaixo do sol.

Uma coisa eu tenho certeza, quando bate o estalo tudo parece mais simples.

Quem sabe no meio do conflito entre o que sou e o que eu posso ser, estale... 

Ploc.

Já tive alguns estalos maravilhosos sobre a forma de enxergar a vida.

Na pior das circunstâncias, quando só existir a alternativa de mudar, a gente muda.

A água represada vai chover.

Coragem!

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