quarta-feira, 2 de março de 2016

Não te demores

(Temos a honra de publicar pela primeira vez uma crônica inédita da jornalista, antes de tudo poetisa e cronista, Sáride Maíta, a mais afetiva aquisição do cerebro y tripas. Que seja o início de uma série de lindos e sensíveis tratados sobre a vida e o amor. Colaboradora do blog direto de São Luis do Maranhão.)


Donde no puedas amar, no te demores - Frida Kahlo


O que mais dói quando um amor adormece é desfazer as malas, recolher as lembranças e tentar encontrar outro amor o mais rápido possível e a qualquer custo. A busca desesperada para encontrar onde vocês se perderam e as frequentes indagações de “por que”, “pra quê” ou “como foi” que aquele último dia começou, costuma ser sufocante e recorrente. Até que, na pressão, todos os calmantes perdem o efeito e você vai se entupir de doce na padaria ao lado. Fim de linha quando o fatal derradeiro era apenas o começo. “Não, tá errado. Não se despeça!”

Um “até breve” que nunca chega e amores que nunca acabam. A pior zoada é o silêncio. O que mais dói quando um sentimento adormece, quando amor vai embora ou alguém se despede, é o silêncio. Todos os pensamentos resolvem fazer digestão ao mesmo tempo. É uma diarreia de sentimentos. Não, não tome soro caseiro, imosec ou qualquer outro indicado. Nunca funciona! O silêncio continua gritando, ferindo sua alma. Ainda é o silêncio!

Chore! Grite! Pule! Brigue com o Deus, com a Deusa, com os filhos de Ogum. Depois, trave sua guerra contra o mundo. Ofenda o vento. Solte seus demônios. Aqui vale tudo, exceto permanecer onde não há amor. Ninas, Marias, Espancas, Júlias, Sabrinas, Olgas, Fridas, Severinas, Anas, Franciscas, Catarinas, Simones, Lourdinhas! Foram tantas e só por uma boca. Foram tantas e com gestos minúsculos. Elas mudaram uma fatia social do seu mundo pessoal. Algumas com a vida, outras com - ou sem - regras de etiqueta. E agora, “você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não está mais sendo servido”.

Esse é o ano da bicicleta! Pra quê guardar amores pela metade, amores falidos, desfalecidos ou desamores embebecidos? “Doeu!” Dói mesmo. Mas permanecer machuca até matar. Mata a alma! E eu só quero só quero viver. Você só quer viver! A gente marcou um encontro. Sem data, sem horário e o local ficou um tanto quanto indefinido. “Espero que sua vida seja linda até lá”. Uma sala, uma TV, quatro pernas e um fim de semana. Nada nosso! É só a vida desenhando o texto, feito rio que ‘sarra’ pedras. Corre solto.

Por Sáride Maíta

2 comentários:

  1. Um texto simplesmente maravilhoso! Descreve exatamente o momento pelo qual estou prestes a viver . Sinto Que O Fim Está Próximo. Pelo menos o texto serviu pra me preparar psicologicamente, se é que a gente se prepara para a perda de um grande amor. ..

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  2. Parabéns! Sincronia interessantíssima. Brinde-nos com mais, por favor.
    Um abraço fraterno.

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