sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Yoga e banho de sol




Alonga o corpo e toma banho de sol. Meu cachorro faz yoga todos os dias, várias vezes. Sua postura preferida é Adho Mukha Svanasana ou, em português, 'cachorro olhando para baixo'.

Ele coloca o quadril bem pra cima e estica a parte anterior do seu corpo como se estivesse empurrando o chão com as patinhas da frente.

Eu já pratico yoga, não há tanto tempo quanto Yusuke. Até, consegui inseri-la dentro de uma rotina, mas só agora começo a incluir o banho de sol, também.

Despertei para o sol quando li, não lembro onde, que os raios solares estimulam a produção de vitamina D que traz uma série de benefícios para o organismo.

Em sua instintiva e pura sabedoria, Yusuke já sabia disso. Sempre soube. Pela manhã,  assim que o sol nasce, ele escolhe justamente o local com mais incidência de luz e fica esticadinho tirando um cochilo gostoso.

Pioneiro na yoga e no banho de sol aqui em casa, talvez, até, na rua ou no bairro, meu pequeno lobo selvagem dá os seus 'pulos' para manter a saúde mental (???) e física sem precisar das dicas de saúde da Internet ou dos vídeo-aulas do YouTube.

Às vezes, me pergunto o que se passa dentro da cabecinha dele quando está paradinho, elegantemente sentado com o tronco muito ereto, observando os meus movimentos na cozinha ou quando ele deita numa posição que me lembra muito uma esfinge egípcia.

É um enigma que me provoca inúmeras reflexões sobre a vulnerabilidade de um ser vivo que não sabe falar nem escrever nos nossos códigos humanos para dizer se sente dor, medo, fome, sede, solidão, frio ou calor.

Yusuke, no entanto, encontrou uma forma abstrata de expressar seu carinho por mim, uma vez que alguns sentimentos exigem, imperiosamente, como uma necessidade vital, expandir-se. É um olhar expressivamente castanho e melancólico de quem ama e vai ser, para sempre, fiel ao seu amor. De quem queria só um pouquinho mais de tempo perto e mais afagos.

Não sei se ele me enxerga como figura materna (eu me enxergo), mas costuma saltar em mim, e colar a cabecinha na minha barriga e, se eu deixar, fica assim até cansar.

Nesses momentos, tenho certeza que o amor não é exclusividade da raça humana. Yusuke com seus olhinhos de pedinte chega a colocar em dúvida se nós (humanos) sabemos viver esse sentimento de uma forma tão pura e verdadeira.

Não sei se os outros animais têm alma, apostaria que sim. Tenho certeza, entretanto, que Yusuke além de ter alma, uma doce alma, tem-na enorme e cheia de amor.

E entre arranhões involuntários e latidos, yoga e banhos de sol, nossas almas seguem aprendendo uma com a outra...



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