quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Por que escrevo?

Skeeter, personagem do filme Histórias Cruzadas (2011). Além da sensibilidade e do senso de justiça, a escrita era tudo o que ela tinha.
  

Escrevo para amenizar a solidão. Chego às pessoas, se elas me leem, e elas chegam a mim. E se a solidão for tão grande, a ponto de eu duvidar se realmente existo, escrever recupera em mim a consciência de existir.

E, embora pareça paradoxal, escrevo para preservar a solidão. Para cultuar o meu sagrado louco e desequilibrado. O que eu sou secretamente, o que sou sem os códigos sociais e julgamentos.

Às vezes, escrevo para me sentir amada [quando eu mesma não me amo], na esperança de cativar as pessoas e receber delas o que eu não sei bem como dar a mim mesma.

E para me sentir bonita. A dança das palavras, o ritmo das frases e dos versos, neles me projeto melhor e com mais charme porque são o meu real terreno. Porque tudo pode ser lindo, no que se escreve com a alma. A dor, a melancolia, a angústia, tudo.

É certo que não escrevo para me imortalizar. Se me exponho, se entro em crise a respeito dos o quês, porquês e para quens da escrita, sobre o valor disso é porque quero a consciência que existo, no hoje. Só isso me interessa. Acordar do pessimismo e do desamor e participar um pouco da vida.

Um comentário:

  1. Você existe, não está só, e nos encanta com suas palavras da alma...Linda reflexão sobre o que é ser artista e a necessidade de o ser.

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