domingo, 13 de dezembro de 2015

Tem mais chances de ser amado quem pede amor

Yusuke com as patinhas na parede do jardim pedindo carinho - Foto: Raquel Rocha

Esses olhinhos pidões me conquistaram. Foto: Rafael Rocha


Eu achava que amor, carinho e atenção só valiam se fossem espontâneos. Sempre achei que essas eram coisas que não se pedia. Tenho revisitado essa concepção dentro mim e, confesso, tenho flertado com a possibilidade de que o amor, fruto de uma cobrança sóbria, também,  pode ser real.

Não estou generalizando. Em muitos casos, o outro vai responder com um 'eu te amo' robótico para cumprir tabela e evitar discutir a relação, mas em outras situações vale levar em conta o ditado popular 'quem não chora não mama'.

Durante muito tempo, mantive na porta do meu guarda-roupa uma frase que tirei do livro 'Mulheres que Correm com os Lobos' (Ah, esse livro... sempre esse livro): 'Quem não sabe uivar nunca encontrará sua matilha'.

Tenho uivado muito pouco. Na verdade, tenho me deixado dominar por um silêncio assustador.

Yusuke me trouxe essa questão do uivo de volta. Literalmente. E me mostrou que, às vezes, é preciso gritar para mostrar que você existe e que quer amor.

E que vale a pena pendurar as patas na grade do jardim com uma bolinha na boca,  fazendo olhinho de pidão e chamando para brincar.

E arranhar a porta da cozinha pedindo para entrar.

Meu vira-latas é um pedido ambulante de carinho e o que ele tem de mim foi fruto de muita conquista. De muito latido, uivo e rosnados. De um olhar castanho sempre cristalino, puro e inocente, cheio de amor, verdade e nenhum pingo de orgulho.

Sem pretensão alguma, em sua inocente sapiência, meu cãozinho me ensinou, na prática, que tenho uma enorme responsabilidade com aqueles que cativei. Me mostrou, também, que carinho se conquista e que tem mais chances de ser amado quem pede amor.



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