segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Sobre o medo de ficar oca para sempre

Foto: Gabriela Mo


Saudade, carência e solidão. Uma mistura desses três sentimentos. Vazio multiplicado por três e a inquietude provocada pelo medo de ficar oca para sempre. Irremediável.

Das três, a carência é a que menos me reflete porque tenho uma certa resistência em pedir. E a carência sempre vem com um pouco de cobrança, o que considero, de uma certa forma, estratégia de sobrevivência.

A questão é que preciso da certeza que vem com a espontaneidade. Por isso, normalmente, não peço presença, carinho e amor, embora, tenha dado alguns pequenos sinais de carência e, discretamente, mendigado um pouco disso tudo.

Ultimamente, dei até para sentir saudade com nome, endereço, CPF e RG. Tive que encarar a realidade dos fatos. Logo eu, que nunca morri de amores pelo que ficou no passado.

A saudade sufocada virou carência e perdi a autossuficiência da solidão, essa que era a minha identidade mais real, em termos de ausências. Existindo em função de si própria, agora, existe em função de alguém.

Momento atípico de saudade, carência e solidão. Uma avalanche de ausências e a constatação de que são duas dores diferentes, sentir-se só e sentir a falta de alguém. E a segunda é a pior.



2 comentários:

  1. E com certeza a solidão não é opcional. Quase posso me ver conversando contigo.Tua clareza, sensibilidade e grandeza me comovem. Emocionam. Me deixam repleta dessa plenitude inteira. "Existindo em função de si própria, agora, existe em função de alguém.". Fantástico.

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    1. Desilusão, desilusão
      Danço eu, dança você
      Na dança da solidão...

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